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Banca:

A automação e o futuro do trabalho humano

exemplo real  ·  Tema aplicado em múltiplas bancas em 2024

Ao longo da história, as transformações tecnológicas sempre provocaram mudanças profundas nas formas de trabalho. Da Revolução Industrial, que substituiu o artesanato pela produção em larga escala, à digitalização do século XX, cada avanço técnico redefiniu as relações entre o ser humano e o labor. No cenário atual, a expansão da inteligência artificial e da robótica representa uma ruptura ainda mais abrangente, capaz de afetar não apenas tarefas manuais repetitivas, mas também funções cognitivas antes consideradas exclusivamente humanas.

A substituição de empregos pela automação não é um fenômeno futuro: pesquisas do Fórum Econômico Mundial apontam que mais de 85 milhões de postos de trabalho poderão ser extintos até 2025, ao passo que 97 milhões de novas funções poderão emergir. No entanto, essa transição não ocorre de forma equânime. Trabalhadores de baixa escolaridade, inseridos em setores como indústria, logística e atendimento ao cliente, são os mais vulneráveis ao desemprego tecnológico, enquanto profissionais capacitados para operarem sistemas automatizados tendem a se beneficiar da mudança.

Diante desse quadro, compete ao Estado e às instituições educacionais agir de maneira proativa. É fundamental que políticas públicas de requalificação profissional sejam implementadas com urgência, oferecendo formação em áreas como programação, análise de dados e habilidades socioemocionais — competências dificilmente replicáveis por máquinas. Além disso, a revisão dos currículos escolares, com ênfase no pensamento crítico e na criatividade, constitui medida estrutural indispensável para preparar as gerações futuras.

Cabe ainda às empresas responsabilidade ativa nesse processo. Organizações que investem em automação devem também comprometer-se com programas internos de requalificação, evitando a criação de um exército de desempregados tecnológicos. Modelos como a semana de quatro dias e a distribuição de dividendos da produtividade entre os trabalhadores são propostas que têm ganhado espaço no debate internacional e merecem atenção dos legisladores brasileiros.

Portanto, o avanço da automação exige uma resposta coletiva e coordenada. O desafio não é impedir o progresso tecnológico — tarefa tão inútil quanto impossível —, mas garantir que seus benefícios sejam distribuídos de forma justa. Um país que combina inovação com inclusão social não apenas protege seus trabalhadores, mas constrói as bases para um desenvolvimento sustentável e humano no século XXI.

347 palavras 5 parágrafos Estudante do 3º ano EM
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